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Golpe de Estado nas Honduras: Tiros junto ao palácio presidencial nas Honduras

Zelaya com Hugo Chávez29.06.2009 – 08h54 PÚBLICO, Agências | in PUBLICO
Foto: JUAN CARLOS ULATE/Reuters

Os partidários do Presidente hondurenho, Manuel Zelaya, ocuparam as ruas da capital, Tegucigalpa, e há notícias de tiros junto ao palácio presidencial, enquanto o Presidente interino, Roberto Micheletti, decretou o estado de sítio em todo o país durante as próximas 48 horas.

Manuel Zelaya, que ontem foi expulso do país e conduzido à Costa Rica pelos militares, encontrou-se esta madrugada (hora de Lisboa) em Manágua, com os Presidentes Hugo Chávez, da Venezuela, Rafael Correa, do Equador e Daniel Ortega, da Nicarágua.

O golpe militar de domingo foi motivado pela oposição dos militares, do Supremo Tribunal e da oposição parlamentar a um referendo destinado a tornar possível uma alteração da constituição que permitisse a Zelaya candidatar-se a um segundo mandato, nas presidenciais de Novembro. Nas Honduras, cada Presidente só pode cumprir um mandato.

A deposição de Zelaya, que é apoiado por toda a comunidade internacional – os Estados Unidos declararam que é o úico Presidente hondurenho que reconhecem, tal como os países da Aliança Bolivariana para as Américas (ALBA) a que as Honduras aderiram recentemente – é considerada o primeiro golpe militar na América Central desde o fim da guerra fria.

A Alba reuniu-se na capital da Nicarágua para defender o regresso de Zelaya ao poder. O México mostrou também apoiar o Presidente deposto e anunciou esta madrugada que recebeu a ministra dos Negócios Estrangeiros das Honduras, Patricia Rodas, desaparecida desde ontem. Oito ministros foram detidos após o golpe.

Confrontos nas ruas

Os apoiantes de Zelaya desceram às ruas ontem, assim que foi conhecido o golpe militar, que o Exército diz ter feito cumprindo ordens do Supremo Tribunal e depois de se ter recusado a garantir a segurança do referendo previsto para ontem.

De rosto coberto e armados com paus, os apoiantes do Presidente pró-bolivariano ergueram barricadas nas ruas da capital e bloquearam os acessos ao palácio presidencial, que os militares cercaram ontem.

Testemunhas citadas pela Reuters falam em tiros perto do palácio e disseram que uma ambulância dirigiu-se ao local, mas não há notícias de feridos.

A Federação dos Sindicatos dos Professores lançou ontem uma greve ilimitada até que Zelaya regresse ao poder.

Os protestos desafiam o estado de sítio imposto pelo Presidente interino, Roberto Micheletti, que tenciona permanecer no cargo até 2010. As eleições presidenciais estão previstas para Novembro.

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