Golpe de Estado nas Honduras: Zelaya regressa às Honduras com Presidentes da Argentina e do Equador


30.06.2009 – 22h54 Jorge Heitor | in PUBLICO
Os Presidentes da Argentina e do Equador vão estar quinta-feira com o chefe de Estado das Honduras, Manuel Zelaya, quando este regressar ao seu país, de onde foi expulso há três dias.
A Organização dos Estados Americanos (OEA), as Nações Unidas e outras instituições solidarizaram-se com Zelaya, que continuam a reconhecer como Presidente, apesar de em Tegucigalpa o Parlamento ter eleito para o seu lugar Roberto Micheletti, o presidente do congresso.
“Se enviarem tropas para reprimir os manifestantes ou para me matarem, que o façam perante os olhos do mundo”, desafiou o político hondurenho que amanhã terá ao seu lado Cristina Kirchner e Rafael Correa.
A proposta de Moratinos
O ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Miguel Ángel Moratinos, anunciou hoje que iria propor à União Europeia (UE) que chamasse a consultas os seus embaixadores em Tegucigalpa, como forma de protesto contra a “ruptura da ordem constitucional nas Honduras”. Em conferência de imprensa conjunta com o secretário-
-geral da NATO, Jaap de Hoop Scheffer, de visita a Madrid, o ministro sublinhou que estava a tentar comunicar com a presidência checa da UE – em fim de mandato – para que active os mecanismos necessários à chamada a consultas dos embaixadores.
Enquanto isto, Micheletti advertia Zelaya de que, em caso de regressar ao país, conforme tenciona, os tribunais “têm uma ordem de captura contra ele”. Em entrevista dada à rádio colombiana Caracol, Micheletti disse que o mandado de captura é devido “aos delitos” que Zelaya teria cometido “devido ao seu interesse de continuar no Governo ou à atitude de prepotência assumida durante os últimos meses”.
Micheletti encontra-se, porém, isolado na comunidade internacional, tendo ele tomado posse no meio da condenação universal. Nunca um dirigente latino-americano suscitara tantas condenações por parte de governos e organizações de grande representatividade, colocando no mesmo barco a Administração Obama e toda a América Latina, a começar pelos Presidentes de Cuba, Raul Castro, e da Venezuela, Hugo Chávez.
Uma das provas do consenso gerado foi o facto de Zelaya ter discursado hoje na Assembleia Geral das Nações Unidas, que aprovou depois, e por aclamação, uma resolução condenando “o golpe de Estado” que interrompeu a “ordem democrática e constitucional” nas Honduras.
Zelaya agradeceu a iniciativa “histórica” da comunidade internacional e, numa conferência de imprensa posterior, voltou a dizer que não pretende recandidatar-se a um segundo mandato. Alega que o referendo que pretendia organizar sobre a questão só terá efeito para o seu sucessor.
Depois, manifestou a intenção de se dirigir a Washington, para uma reunião especial da OEA, ao fim do dia, sendo provável que nessa eventualidade também viesse a ser recebido por altos funcionários do Departamento de Estado.
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