Acordo de Paz entre Turquia e Arménia 2009

Ora aqui está uma boa notícia para viajantes. Este acordo viabiliza a abertura das fronteiras entre a Turquia e a Arménia, que se encontram fechadas faz anos. Por exemplo para ir da Turquia até à Arménia, tem que se passar pela Geórgia. Esperemos as notícias de abertura de fronteiras para facilitar viagens terrestres entre os dois países. Boas viagens!
10.10.2009 – 20h51 Francisca Gorjão Henriques | in PUBLICO
Por longos momentos pensou-se que não iria acontecer: o acordo entre a Arménia e a Turquia foi atrasado por “dificuldades de última hora”. Mas depois de uma reunião com a delegação norte-americana, a parte arménia terá ultrapassado as reservas que levantou sobre as declarações que iriam ser lidas na cerimónia. E foi finalmente assinado o protocolo que pretende acabar com um século de hostilidades entre os dois países vizinhos.
As objecções arménias reflectem a sensibilidade que rodeia esta questão. Nos dois países, as opiniões públicas não olham com indiferença para o que ontem os seus governantes assinaram.
Haverá muitos, de um lado e do outro da fronteira, sem vontade de festejar. As resistências são tais que horas antes da cerimónia, o Presidente arménio, Serge Sarkissian, justificou de forma solene ao país que “não teve alternativa ao restabelecimento das relações, sem condições prévias, com a Turquia”, cita a AFP. Mas tentou apaziguar os ânimos, explicando também que “ter relações com a Turquia não deve, de forma nenhuma, pôr em dúvida a realidade do genocídio… É um facto bem conhecido e que deve ser reconhecido”.
A oposição vem de ambos os lados, e também da diáspora arménia, particularmente influente em França e nos EUA, refere a agência francesa. E por isso, a sua aprovação por parte dos respectivos Parlamentos – fundamental para que o texto possa passar à prática – pode não ser tão rápida quanto os Governos desejam.
O acordo prevê um calendário para a normalização dos laços diplomáticos e a abertura da fronteira entre os dois vizinhos. O motivo da disputa remonta a 1915-17, quando as tropas otomanas foram responsáveis por massacres e deportações de milhares de arménios – mais de um milhão e meio, segundo Erevan, entre 300 mil e 500 mil, defende Ancara.
As populações eram enviadas em massa da Anatólia Oriental para o deserto sírio, entre outros locais, e quando não eram executadas pelas forças otomanas morriam de fome ou doença. A Arménia chama-lhe genocídio (há duas dezenas de país a fazê-lo), a Turquia recusa-se a aceitar o termo.
Uma equipa conjunta de investigadores trabalhará para determinar quem tem razão, como prevê o acordo. O espinho de Nagorno-Karabakh Para além dos massacres, há um outro espinho, chamado Nagorno-Karabakh. O território dentro das fronteiras do Azerbeijão, de etnia arménia, foi alvo de uma disputa de seis anos (entre 1988 e 1994). Ficou sob controlo da Arménia. Como resposta, o Azerbeijão, aliado da Turquia (já que é um país turcófono e muçulmano), fechou as suas fronteiras com o país vizinho.
A Suíça dedicou-se à mediação do diferendo, mas precisou do auxílio de pesos-pesados; a Rússia, Estados Unidos e União Europeia envolveram-se nas negociações, pressionando os dois lados a avançar com a normalização das suas relações. E mostrando o quanto ambos teriam a ganhar se o fizesse: para a Turquia, isso significaria um avanço no processo de adesão à UE; para a Arménia, país sem recursos energéticos, o fim do seu isolamento económico. “Estou seguro que estas decisões serão muito positivas para o conjunto da região”, comentou ontem o chefe da diplomacia da UE, Javier Solana, em Zurique. “E não há dúvida nenhuma que será importante para os países implicados nas suas relações connosco”.
União Europeia e Estados Unidos encontram vantagens importantes, e por isso o próprio Presidente norte-americano, Barack Obama, declarara em Abril que o processo de negociações teria de avançar “rapidamente”. As relações pacíficas entre ambos são vistas como fundamentais para a estabilidade do Sul do Cáucaso, um corredor de petróleo e gás para o Ocidente, e uma região na qual a Rússia gosta de exibir a sua força, refere a Reuters.
O êxito das negociações conduzidas por Washington e Moscovo levou um diplomata da delegação da secretária de Estado norte-americana, de Hillary Clinton (que foi a Zurique assistir à assinatura do acordo), a comentar à AFP que este era “um exemplo concreto da forma como podemos trabalhar juntos”.
Acordo de Paz entre Turquia e Arménia 2009
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