A partir da Luz – Livro de Viagem ao Iraque por João Leitão Diário de Viagens

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A partir da Luz – Livro de Viagem ao Iraque por João Leitão

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Livro de Viagens, A Partir da Luz, Caderno de Viagem pela República do Iraque. Região do CurdistãoCaderno de Viagem pela República do Iraque. Região do Curdistão – Agosto 2009.

Livro 70 Páginas, €11.46.

A maioria das pessoas tem em mente um Iraque em guerra, aquele que vêem na televisão. Realmente, por todo o país, vivem-se momentos de tensão e conflito. Há, porem, um Iraque diferente, numa zona a norte do país, que mantém uma independência de-facto desde a primeira guerra do Golfo, em 1991.

«…Eu, na verdade, ia só para ficar dois ou três dias mas acabei por ficar os dez dias que o visto que me deram na fronteira me permitia. Acompanhe dia-a-dia, esta aventura de 13 dias saindo de Istambul na Turquia ate ao Norte do Iraque.»

João Leitão nasceu em Lisboa, Portugal. Desde cedo foi motivado a experimentar, viajar e conhecer. Com 3 passaportes cheios antes dos 30 anos, João Leitão viveu em Portugal, Estados Unidos, Finlândia e UcrâniaMarrocos é o pais onde mora desde 2007.

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Livro de Viagem ao Iraque – Leitura de Viagem

EXCERTO DO LIVRO

5º Dia – 6ª Feira, 14 Agosto 2009

Dohuk, Akre (à boleia)

Era 6ª Feira, feriado semanal muçulmano em que tudo fecha das 10 às 15 horas, mas aproveitei a manhã para explorar algumas zonas da cidade que ainda não conhecia, fui ao parque de diversões Dream City e dar uma volta ao supermercado onde comprei uma bússola.

Estava tudo fechado na cidade. No Islão, as 6ª feiras devem ser aproveitadas em reminiscência de Deus, dia de oração e união dos praticantes da religião para partilharem uma refeição em comunidade.

Voltei ao hotel onde estive na conversa com o dono, mais uma vez de religião Yazidi que me informou que eu deveria ir até Lalish para ver o templo da sua religião.

A religião Yazidi que remonta a cerca de 2000 a.C. tem cerca de oitocentos mil seguidores em todo o mundo e foi outrora uma religião habitual por entre o curdos até à islamização obrigatória reduzir o seu número.

De acordo com as crenças yazidis, Deus criou o mundo, deixando-o à guarda de sete Seres Santos, os anjos dos Sete Mistérios.
O anjo superior chama-se Melek Ta’us, o Anjo Pavão. Há um conflito directo entre os yazidis e os muçulmanos, judeus e cristãos já que um outro nome de Melek Ta’us é “Shaytan”, que em árabe quer dizer diabo.

Na verdade, em ambas as versões ele é o mesmo Ser mas com uma visão completamente diferente da história da Criação do Mundo.
Satanás para os muçulmanos é um jinn criado por Deus juntamente com os anjos e os humanos. Ao contrário dos anjos, os jinns e os humanos tinham a aptidão do livre-arbítrio.

Iblis é então um jinn renegado que recusou obedecer a Deus perante a ordem de se submeter a Adão e foi enviado para o inferno, enquanto que Melek Ta’us, o primeiro anjo yazidi dos sete criados por Deus, quando recusou submeter-se a Adão, foi congratulado por ter consciência da sua superioridade e enviado para a Terra como seu representante supremo.

Houve durante a história várias tentativas de extermínio destes seguidores um pouco por todo o Médio Oriente e hoje apesar de terem a legislação do seu lado como livres de exercerem a sua fé, há um desconfiar geral da maior parte dos muçulmanos já que estes adoram aquele que o Islão mais despreza.

Tinha então que tentar ir até Lalish para o local de culto de esta tão polémica religião e ainda para mais que fui informado que a 6ª Feira e o Sábado eram os dias de enchente neste recinto.

Teria hipótese de ver muita gente e mais ao menos perceber como se pratica o culto a Melek Ta’us. Todos os yazidis têm que pelo menos uma vez na vida fazer peregrinação até Lalish.

Haviam táxis mas que custavam cerca de 30,000 dinares só ida por isso resolvi apanhar um táxi até à saída da cidade e lá me meti à boleia.

O primeiro carro levou-me até ao controlo policial da cidade, e a polícia questionou-me o que fazia ali e eu disse que ia até Lalish. Passou-se da cabeça quando disse que ia à boleia ou a pé, ou, Inshallah. Fez questão em me arranjar um carro que me levasse.

O primeiro carro parou e disse que não podia pois era político e por questões de segurança não me levava. Descobri então pouco a pouco que Lalish era fora do caminho de tudo e que teria antes que ir até Sheikhan e daí até ao templo yazedi em Lalish.

Um outro carro parou e um senhor que falava bem inglês disse que me levava até à intersecção de Sheikhan, alguns quilómetros antes de Lalish.

Metendo conversa, este senhor de nome Bayar disse-me que ia até Akre a cerca de 130 quilómetros, ficava lá durante 3 horas e voltava a Dohuk. Estas palavras foram bilhete directo para ir conhecer Akre, cidade fabulosa com vista impressionantes, cascatas e nascentes de água.

Bayar trabalhava para uma empresa de comércio de fertilizantes e pesticidas e ia até Akre em negócios encontrar-se com um agricultor local. Tive boleia ida e volta, e levou-me a visitar umas cascatas, pagou-me o almoço e foi super simpático.

Não fui a Lalish mas andei 3 horas a explorar Akre onde 2 jovens que meteram conversa comigo me guiaram pelos melhores locais, me levaram a conhecer os seus amigos, a visitar nascentes e cascatas e me pagaram chá e gelado. Ainda antes de conhecer estes 2 rapazes, fui convidado a beber chá numa engomadoria onde um jovem com cerca de 20 anos estava sozinho a ver televisão.

O Ismail e o Ivan explicaram-me mais ou menos que a cidade tinha muitos judeus, e que havia um militar famoso israelita que tinha nascido ali (mais tarde informei-me e é o antigo Ministro da Defesa Yitzhak Mordechai).

Levaram-me a conhecer a nascente de Kanizark, zona de recreio onde dezenas de jovens se banham e escapam ao calor do Verão.
De volta a Dohuk fui para a Internet, dei mais umas voltas pela cidade e ao anoitecer fui à Gely, zona do vale da cidade onde toda a gente se junta para ver e ser visto, zona com muita água, repuxos e cafés. Muito movimento.

Voltei ao hotel, comi uma fruta que comprei no mercado e dormi.

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Comentarios

4 comentários

  1. Salam Sadik João!
    Ganhei seu Livro de um amigo da Jordânia… Sou Natural de Ôma, e minha familia se divide um pouco aqui no Brasil e Pelestina..rsrsr QUANDO ENCONTREI O SEU BLOG “POR UM ACASO” POR CAUSA DO FREE, MEU ? PULOU DE ALEGRIA!!! VC JA PENSOU EM ESCREVER ROMANCE? VC TEM O DOM!!! Salam Alykum Habibi!!?

    Nayr em
  2. Caro Joao
    escrevo do Brasil, Bahia, Salvador
    como posso adquirir seu livro A Partir da Luz aqui em minha cidade?
    Grato pela atencao

    Alexandre

    Alexandre em
    • amigo Alexandre, obrigado pelo seu comentário. O livro A Partir da Luz pode ser encomendado pela internet, chega-lhe aí a casa em poucos dias. grande abraço, depois diga-me o que achou do livro. cumprimentos desde Marrocos!

  3. nossa, fiquei maravilhada com tudo que vi, fico me imaginando ai nossa
    vc esta de parabens de compartilhar esses momentos especiais conosco.

    nilma em
Comentar site viagens João LeitãoQualquer dúvida ou ajuda sobre algum destino ou algo que precise de saber contacte-me sff. Não me faça perguntas sobre "Marrocos" numa página sobre os "Estados Unidos", ou na página do "Sobre o Autor".

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