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🌍 Cuba em 2 semanas – Roteiro de viagem detalhado

Actualizado em 28 Julho, 2017
ROTEIRO 2 SEMANAS CUBA

ROTEIRO 2 SEMANAS CUBA

2 Semanas em Cuba

Cuba é um país fascinante. Com uma beleza natural única, há imensos destinos que valem a pena explorar. Visitar Cuba acaba então por ser uma viagem inesquecível.

Em 1492, Cristóvão Colombo desembarcou no que é hoje a ilha de Cuba, ficando assim pertencente ao Reino de Espanha. Cuba permaneceu como colónia da Espanha até a Guerra Hispano-Americana de 1898. Depois de ser brevemente administrada pelos Estados Unidos, a sua independência formal foi em 1902.

Esta página divide-se em dois tópicos principais:

  • TOP 5 para visitar Cuba
  • Roteiro de 2 semanas em Cuba

NOTA: Antes de mais há algo que preciso dizer sobre um guia de viagem a Cuba: é que este país atravessa um período de rápidas alterações, especialmente desde que os Estados Unidos da América anunciaram o final do bloqueio à ilha. Por isso, o que hoje é assim, amanhã poderá já não o ser, e deverá sempre que possível confirmar as indicações que aqui ofereço. São actualizadas, no momento em que as escrevo. Mas o futuro em Cuba chega muito depressa.

Nesta página você encontra:

  • TOP 5 para visitar Cuba
  • Roteiro de 2 semanas em Cuba
  • Havana (Dia 1)
  • Havana (Dia 2)
  • Viñales (Dia 3)
  • Cayo Jutías (Dia 4)
  • Viñales a Havana (dia 5)
  • Havana (dia 6)
  • Havana (dia 7)
  • Havana a Matanzas (dia 8)
  • Matanzas – Havana – Cienfuegos (dia 9)
  • Cienfuegos a Trinidad (dia 10)
  • Trinidad (dia 11)
  • Trinidad (dia 12)
  • Trinidad a Santa Clara (dia 13)
  • Santa Clara, Remedios e Caibarién (dia 14)
  • Santa Clara a Havana (dia 15)

TOP 5 para visitar Cuba

Vamos descobrir quais são os locais que você não deve perder durante uma viagem a Cuba. É este o TOP 5 cubano!

1 – Trinidad

Visitar Trinidad em Cuba

Visitar Trinidad em Cuba

Trinidad é uma cidades pertencente à lista de Património Mundial da UNESCO em Cuba desde 1988. Com um centro histórico muito bonito, Trinidad é tudo o que espera de uma cidade cubana: edifícios coloniais espanhóis, carros clássicos americanos, tranquilidade, música pelas ruas e pessoas muito simpáticas. A não perder é a a Iglesia y Convento de San Francisco.

O seu nome original é Villa De la Santísima Trinidad. Adorei esta cidade, as pessoas, tudo. O centro histórico é lindo. Trinidad é uma cidade que fica localizada na Província de Sancti Spíritus, a qual em conjunto com o Vale de Los Ingenios, integra desde 1988 na lista da UNESCO Património Mundial.

Esta cidade foi fundada em Dezembro de 1514, pelo espanhol Diego Velásquez, fazendo desta localidade, um dos primeiros assentamentos de europeus na colónia cubana. Trinidad começou por chamar-se Villa De La Santíssima Trinidad, e é conhecida hoje em dia como um museu em céu aberto.

2 – Remedios

Visitar Remedios em Cuba

Visitar Remedios em Cuba

Remedios ou San Juan de Los Remedios é uma cidade que fica localizada na costa Norte de Cuba, mais propriamente no centro da ilha, tal como é o primeiro lugar onde o Homem escolheu para se estabelecer na zona da Província de Las Villas.

Quando Cuba ainda era uma colónia de Espanha, Isabella II nomeou Remedios como cidade, local onde se faz a maior Parranda. Fica a cerca de 300 Km de Havana, a capital e muito perto dos Cayos, pequenas ilhas paradisíacas. Um dos pontos interessantes a visitar na cidade é a Praça Isabel II, onde fica situada a magnífica Iglesia Mayor, onde os seus altares estão cobertos a ouro, ou a Iglesia del Buen Viaje, no lado oposto da mesma praça.

A Iglesia parroquial mayor San Juan Bautista no centro da cidade é supostamente a igreja mais antiga de Cuba. A actual igreja foi construída em 1692 sobre a estrutura existente de uma igreja que foi originalmente construída em 1570.

3 – Viñales

Visitar Viñales em Cuba

Visitar Viñales em Cuba

Local muito bonito a Oeste da ilha de Cuba.

Viñales é uma cidade que faz parte da Província de Pinar del Rio, localizada na zona Centro-Norte de Cuba. Esta cidade encontra-se no vale das montanhas de Guaniguanico, mais propriamente na Sierra de Los Órganos, e que foi outrora o refúgio de muitos escravos fugitivos antes da colonização europeia.

Viñales é uma cidade bastante rural e piscatória, onde as culturas e a pesca ainda são trabalhadas através de métodos tradicionais. Viñales é um local Património Mundial da UNESCO e tem um parque natural, várias grutas como a Cueva del Indio, montanhas rochosas com selva.

A aldeia de Viñales é também muito tranquila e com umas cores de pôr-do-Sol lindas. Muito interessante também é que há vários búfalos com chifres enormes.

4 – Cayo Santa Maria

Visitar Cayo Santa Maria em Cuba

Visitar Cayo Santa Maria em Cuba

Cayo Santa Maria fica a alguns quilómetros da cidade de Caibarién, na costa norte da ilha de Cuba. Os Cayos são um grupo de ilhas pequenas que se traduzem num autêntico paraíso, onde as praias se encontram no seu estado mais natural possível, com um cariz selvagem, quase sem alguma intervenção da mão do Homem. Poderá chegar a elas através de carro ou por via aérea, que rapidamente analisará como um lugar magnífico e quase inexpressível por palavras, tal como está bastante bem preparado com óptimas infra-estruturas para receber os seus visitantes.

5 – Havana

Visitar Havana em Cuba

Visitar Havana em Cuba

Havana é uma cidade muito interessante, misto de tropical com colonial. Havana tem a zona antiga que é muito bonita. Havana foi a sexta cidade fundada pelos espanhóis na ilha.

Locais a não perder para visitar Havana são o Paseo de Martí, o Castillo de San Salvador de la Punta, a Old Havana, a Catedral de Havana e o Castillo de la Real Fuerza. Havana é considerada a maior cidade das Caraíbas, e naturalmente é a capital de Cuba. Esta cidade é um dos centro culturais mais ricos de todo o mundo, uma vez que oferece aos seus visitantes imenso conteúdo interessante para visitar.

Ao nível da arquitectura, é incrível o imenso leque de exemplos magníficos a conhecer, nomeadamente castelos, catedrais, museus ou magníficas mansões. A UNESCO, a organização que nomeia os lugares do mundo, a fim de valorizá-los e dignificá-los, integrou o bairro histórico de Vieja Habana ou a Velha Havana na sua lista.

Todos os dias às 21 horas à a cerimónia dos canhões – Ceremonia del Cañonazo do outro lado da Bahía de La Havana, perto do Museu Fortificaciones y Armas e da Plaza de Armas. Aproveite aqui também para subir até à Fortaleza de San Carlos de la Cabaña.

2 Semanas em Cuba – Roteiro dia-a-dia

5 lugares especiais para visitar em Cuba

ROTEIRO 2 SEMANAS EM CUBA

Neste exemplo de roteiro de viagem em Cuba, vou explicar dia-a-dia detalhadamente o que se pode fazer para você visitar Cuba com um plano já organizado para poder assim aproveitar ao máximo as suas férias no país. Quinze dias é pouco e ficam muitos destinos de fora. Cuba estende-se, de Oeste para Este, com as deslocações a implicar muitos quilómetros. Se pretende ter ainda mais liberdade de viagem e então incluir esses destinos mais fora das rotas normais, pode alugar carro em Cuba.

Nesta aventura para descobrir Cuba procurei trazer o viajante pelos pontos mais significativos e interessantes do país mas sempre tendo em conta que com apenas duas semanas para gastar, uma visita ficaria sempre amputada de locais igualmente interessantes. Especialmente de Santiago de Cuba, na ponte oriental da ilha. Sendo a segunda maior cidade do país é mesmo assim remota, distante. Ali perto há Guantanamo, a base militar norte-americana que de tempo a tempo salta para as primeiras páginas dos jornais.

Pelo caminho ficam outras cidades interessantes como Sancti Spiritus, Camaguey e Holgin. Tudo isto será um excelente incentivo para o viajante planear um retorno a Cuba. Revisitar os locais que mais apreciou e explorar o Leste da ilha, quem sabe dedicando uns dias ao repouso estival.

Havana (Dia 1)

A Cuba só há uma forma de se chegar: de avião. Geralmente a Havana, para quem viaja de forma independente, ou a Varadero, para quem vem com um pacote turístico para as estâncias balneares. E como este artigo é dedicado aos viajantes independentes, vou assumir que vai chegar à capital cubana.

O aeroporto José Marti aguarda os visitantes. Não há muito a dizer sobre ele, é um aeroporto normal que cumpre o seu trabalho, localizando-se nos arredores de Havana, a cerca de 25 km do centro histórico da cidade.

Não há grandes hipóteses para chegar à cidade. Um táxi, cujo serviço para este trajecto ronda os CUC 30, é a solução mais evidente. Existem formas de utilizar os autocarros da rede de transportes públicos. O ideal será tratar com o seu alojamento para que lhe enviem um táxi de confiança cujo condutor estará à sua espera com um cartaz com o seu nome.

Para ficar só há que escolher o bairro, sendo que as opções mais populares são:

  • Havana Velha: o centro histórico, onde se concentram o maior número de locais significativos a visitar, mas também a área mais turística e, de certa forma, descaracterizada, apesar de subsistirem ruas bem castiças.
  • Centro Havana: uma boa opção, localizando-se na área que envolve Havana Velha, acompanhando a linha da costa, com menos turistas e muito pitoresca. Na realidade esta é a minha recomendação, por exemplo, numa casa no malécon (avenida marginal).
  • Vedado: apesar de não ser especialmente nova, esta zona da cidade segue-se, em termos de proximidade geográfica, sendo já o afastada suficiente para impossibilitar deslocações ao centro a pé. É bastante cosmopolita, com animação e manifestações culturais.

Havana (Dia 2)

Sugiro que comece o dia com uma visita ao escritório da Via Azul. Estou a ser pessimista e a assumir que não conseguirá comprar os seus bilhetes de autocarro para as deslocações em Cuba através do website da companhia. Se tiver sucesso nessa tentativa, tanto melhor.

Há três formas de chegar até ao escritório, localizado num ponto bastante inconveniente, bem afastado do centro: ou apanha um táxi e paga uns CUC 25 pela viagem de ida e volta, ou encontra uma forma de usar as carreiras de autocarros certas e faz tudo por… CUP 2 (ou seja, 0,06 EUR) ou usa os táxis partilhados, geralmente os tradicionais carros clássicos de Cuba, e paga CUP 10. O melhor será pedir informações às pessoas que o alojarem, mas aperte com elas, porque muitos cubanos tendem a pensar que os estrangeiros querem conforto máximo a custo alto e só lhes falam na possibilidade do táxi.

Na Via Azul podem-se comprar bilhetes para trajectos em qualquer segmento da rede, por isso, para poupar tempo e nervos, se conseguir um plano mais ou menos final da sua viagem, tente adquirir logo em Havana (ou online) bilhetes para o maior número possível de deslocações. Para já, trate da viagem mais imediata, até Viñales.

Na volta coma qualquer coisa, pode ser uma pizza ou um prato de esparguete, por exemplo. Comida de rua, que não lhe custará mais do que o equivalente a 0,50 EUR.

Vá até casa se quiser tomar um duche ou mudar de roupa e depois dê um passeio pelo malécon. Todo o muro da marginal é bastante popular junto dos habitantes da cidade. É o local onde se vem para ver e ser visto, dá-se um giro, pesca-se, faz-se um pouco de desporto, toca-se música, namora-se. Mas se o mar estiver de mau humor, cautela, porque as vagas lançam cascatas de água sobre os incautos que se arriscam a caminhar por aquele lado da estrada.

Comece pelo topo, a extremidade mais próxima de Havana Velha. Por ali encontrará um pequeno parque urbano, desolado nos dias de semana mas com um ambiente muito agradável ao fim-de-semana, junto ao qual se localiza um dos muitos fortes de Havana, o Castillo de San Salvador de La Punta, encerrado ao público. Do outro lado da barra podem-se ver as majestosas fortalezas que deveriam proteger o porto de Havana, El Morro e La Fortaleza de San Carlos de la Cabaña. A elas voltaremos outro dia.

Siga então pelo Malecon observando o que o rodeia. As pessoas, os carros, as casas e, claro, o mar. Quando chegar a um ponto onde do lado direito (assumindo que vem do centro) se encontra um espaço mais aberto, atravesse e tome a Avenida de San Lazaro, que se afasta, na diagonal, da linha de costa. Ao encontrar a perpendicular rua Aramburu, vire à esquerda e logo num obscuro beco à direita.. estará no Callejon de Hamel, local pioneiro em manifestações artísticas independentes e um núcleo de oposição do regime dos irmãos Castro. Hoje em dia está descaracterizado, talvez encontre por lá mais turistas e jineteros (pessoas que vivem à custa dos estrangeiros, através de esquemas lícitos ou ilícitos) do que verdadeiros locais, mas o Callejon merece mesmo assim uma visita.

Volte à Aramburu e continue a andar, durante quatro quarteirões até encontrar um parque. É possível que encontre ai um mercado de vegetais e fruta onde quererá comprar qualquer coisa. Agora caminhe por onde desejar até regressar à marginal e procure o Hotel Nacional de Cuba, um símbolo da cidade, inaugurado em 1930 e ícone de um certo estilo de vida que se levava em Havana até à revolução castrista de 1959. Um dos episódios mais significativos que aqui teve lugar ocorreu após a Segunda Guerra Mundial, quando os grandes líderes da máfia norte-americana aqui se reuniram para decidir os destinos da organização. O evento foi retratado no filme de Francis Ford Copolla, Padrinho II.

Bem, tudo isto para o convidar a entrar e beber um cocktail no bar exterior do hotel. São incrivelmente baratos (pouco mais de 5 Euros) e a vista e o ambiente são deliciosos.

O jet lag poderá estar a fazer efeito por esta hora e para primeiro dia ficaremos por aqui. De resto, é uma boa táctica deixar-nos ficar um pouco na hora de Portugal. É que apesar de existirem excepções, Havana não é uma cidade especialmente animada à noite. Talvez devido à fraca iluminação as coisas morrem mansamente depois do sol posto e poderá ser melhor acordar bem cedo para assistir aos espectaculares nascer-do-sol de Havana e explorar as pitorescas ruas enquanto a maioria dos turistas dorme ainda.

Viñales (Dia 3)

Viñales é uma pequena cidade situada numa espécie de vale encantado, com uma paisagem fabulosa que é de facto a sua grande mais valia. Fica muito próximo da extremidade oeste de Cuba e será uma incursão única a esta parte da ilha.
A estação da Via Azul fica na extremidade da cidade, mas não receie, Viñales tem, de ponta a ponta, pouco mais de um quilómetro. Se tudo correr bem, chegará ao fim da manhã. Não terá dificuldade em encontrar alojamento numa casa particular em Viñales e assim que se encontrar devidamente instalado deverá sair à descoberta das maravilhas deste vale.

O solo é bem vermelho, utilizado para vastas plantações de tabaco entre as quais se avistam formações rochosas de calcário que conferem um aspecto único à paisagem, chamadas por aqui de mogotes. É uma área rural que apesar de distar apenas duas ou três horas de Havana, parece pertencer a um outro mundo.

Em redor da localidade estendem-se as plantações e quinta de tabaco e milho, um amplo mundo que não é fácil de explorar sem um transporte próprio, e esse é mesmo o único problema de Viñales. Nada que não se possa resolver se houver no orçamento alguns fundos para contratar os serviços de um guia. Quem sabe, se souber andar a cavalo, possa passear pela área na companhia de um camponês local. Se optar por uma solução deste género ou se por algum milagre (por exemplo, encontrar uma bicicleta para alugar) conseguir uma forma de sair do espaço da cidade, poderá visitar um centro de processamento de tabaco.

Se ainda houver tempo e conseguir um bom negócio com um taxista, poderá chegar à encantadora aldeia piscatória de Puerto Esperanza. Fica a apenas 25 km, por isso se conseguiu uma bicicleta fica com mais uma opção em aberto. Se por alguma razão precisar de passar uma noite em Puerto Esperanza, tem aqui uma óptima solução.

Outra ideia para passar um bom bocado na área de Viñales é visitar o complexo de grutas de Cuevas de Santo Tomas (uma tour desde Viñales custará uns CUC 20, incluindo uma visita às grutas de cerca de 90 minutos), um mundo subterrâneo constituído por quase 50 km de túneis naturais distribuídos por oito níveis, estando cerca de 1 km acessível aos visitantes.

Quando a noite chega, claro, a vida em Viñales extingue-se. Para além do eventual espectáculo na Casa de Cultura, não haverá muito para fazer. Será hora de repousar, processar fotografias ou escrever o diário. Talvez o serão possa até ser diferente na companhia do anfitrião na casa particular que escolheu… mas isso é sempre uma incógnita.

Cayo Jutías (Dia 4)

Para hoje, um cheirinho de praia cubana em Cayo Jutías. É uma das melhores praias do país mas a sua localização mantém-na ao abrigo do turismo de massas. Para lá chegar poderá fretar um táxi, que custará uns CUC 60 mas poderá ser dividido com mais pessoas, tentar encontrar um que já se prepare para rumar até lá ou visitar os escritórios de uma agência estatal de turismo – a Havanatur ou a Infortur, ambos localizados na praça central de Viñales – e tentar encontrar uma tour a Cayo Jutías, que inclui transporte de ida e volta e almoço e custará uns CUC 20.

A partir daqui é consigo: se quiser apenas espreitar esta praia, poderá ir e voltar no mesmo dia. Se preferir ter a liberdade para regressar quando desejar poderá procurar uma casa particular no Cayo (mais caro) ou na aldeia de Santa Lúcia (sendo que neste segundo caso, apesar dos preços andarem pela metade, terá que lidar com a necessidade de transporte para a praia e de retorno).

Para além de usufruir da praia de qualidade, poderá aqui visitar o velho farol de Cayo Jutías, uma estrutura metálica construída pelos EUA em 1902.

Viñales a Havana (dia 5)

O quinto dia será passado em movimento. Há que regressar a Viñales e tomar o autocarro da tarde que sai às 14:00 e chega à capital às 17:30. Uma boa hora para encontrarmos o caminho até ao nosso alojamento, sentido o pulso da capital cubana à hora de ponta. Haverá provavelmente surpresas e improvisos. Em Cuba as coisas planeadas raramente saem como se imaginaram. Vamos descansar bem porque o dia que se segue promete muito palmilhar das ruas de Havana.

Havana (dia 6)

Vamos acordar cedo e caminhar pelas ruas de Centro Havana, uma área repleta de pormenores para fotografar e riquíssima na sua moldura humana. Já estarão a abrir os postigos através dos quais, desde sua casa, alguns cubanos servem pequeno-almoços a quem necessita, a preços bem locais.

Eventualmente encontraremos o Malécon, recebendo a aragem do mar na cara. O sol há-de se estar a levantar, o horizonte aclareia-se. Vamos até ao final, até à barra do porto, onde apanharemos o Paseo del Prado, uma estreita alameda que conduz até ao edifício do Capitólio, um ponto excelente para observar os famosos carros clássicos de Cuba. Não só os que atarefados passam no trânsito mas também os que se perfilham, bem ataviados, para que turistas com algum dinheiro no bolso os fretem por um passeio. Um clássico é a ida até a El Morro, a imponente fortaleza do lado de lá da baía.

Mas antes de chegar ao Capitólio atente à sua esquerda no clássico Hotel Inglaterra, logo seguido do Gran Teatro. Do lado oposto do edifício do Capitólio existe a mais popular fábrica de charutos de Cuba, a Partagás, que se pode visitar em troca de alguns CUC.

Poderá prosseguir em direcção à estação de comboios, e se seguir a Avenida de las Missiones encontrará o Mercado Agropecuario. Frente à estação encontra-se a casa museu de José Marti, esse nome sempre presente em Cuba, um herói, não da Revolução Socialista, mas da luta pela independência de Espanha.

Estará agora no canto sudoeste da área histórica de Havana. Pode entrar no bairro, explorando as ruas e travessas ao acaso, ou caminhar junto à água, contornando-a, até chegar ao seu epicentro e aí sim, internar-se em Havana Velha.
É complicado destacar pontos de interesse numa área tão rica em história e património. A não perder será a Plaza Vieja, cercada de edifícios de valor incalculável, onde se encontra a Fototeca Nacional, a Casa dos Condes de Jaruco e o Museu dos Naipes; é uma praça sempre animada, com muitos turistas e locais, onde existe um sem número de restaurantes e bares e muito imóvel classificado.

Dali, encontrará perto da água a Plaza de San Francisco, que também deverá visitar. Logo à frente, a Casa de Los Árabes e o Museu do Automóvel. Chega-se à Plaza de Armas, outro ponto de referência, onde se vendem livros, usados e em segunda mão, numa feira algo turística mas onde ainda se encontram volumes de interesse. O Museu da Cidade está nesta praça e numa das suas quinas vamos ver o Castillo de la Real Fuerza, hoje ocupado pela polícia cubana.

Na área circundante encontram-se uma mão cheia de edifícios fundamentais: o Hotel Ambos Mundos, o favorito de Ernest Hemingway, e mesmo em frente o café Columnata Egipciana, frequentado por Eça de Queiróz nos seus tempos de diplomata em Cuba. Na mesma rua, a Casa de La Obra Pia, a Casa de Simon Bolivar e o Museu 9 de Abril.

Voltando agora um pouco para trás, procuremos a Praça da Catedral, talvez a mais atmosférica da cidade. É como que um museu ao ar livre e recomendam-se várias visitas, em horas diferentes: bem cedo pela manhã para a ver deserta… a meio do dia, quando fervilha de actividade, e depois, ao pôr-do-sol, para aproveitar a luz dourada para a melhor fotografia.

A rua Obispo é uma via pedonal onde o comércio é intenso. Encontram-se ai estabelecimentos curiosos que, ao contrário do que sucedeu noutras cidades invadidas pelo turismo, não foram ainda vencidas pelas lojas destinadas a turistas. Há até uma espécie de café, pastelaria, restaurante, onde se paga em moñeda nacional e onde os preços são bem à cubano.
Subindo a Obispo, quando encontrar uma rua movimentada e com muitos carros, vire à direita. Encontrará mais à frente o edifício Bacardi, que como o nome indica era a sede da empresa que produzia a famosa bebida, antes da tomada de poder de Fidel Castro e do nascimento da Bacardi nos EUA.

Pouco depois encontrará o Museu da Revolução, o mais popular dos museus de Cuba, onde encontrará uma vasta exposição dedicada à guerra que resultou no fim do regime de Fulgêncio Baptista e da chegada ao poder dos irmãos Castro.
A partir daqui resta vaguear livremente pelas ruas secundárias do bairro, sentindo o pulso da vida local que ali existe. Depois, será tempo de rumar a casa, para um merecido repouso.

Havana (dia 7)

Sugiro começar o dia de forma relaxada, a gosto do viajante. Sair para a rua e caminhar até ao Hotel Habana Livre, construído, como quase tudo, na época pré-Castro e usado pelos revolucionários como quartel-general e sede de Governos nos primeiros meses do Regime. À sua frente passam centenas de carros clássicos, quase todos táxis partilhados. Mas o que nos leva a estas partes é a geladaria Coppelia. Chegou a ser a maior do mundo e ainda anda lá perto. A sua criação tem a mão do próprio Fidel Castro, que decidiu que o povo cubano deveria ser agraciado pelas delicias dos gelados italianos. E assim, em 1966, nasceu a Coppelia de Havana, seguida por filiais noutras cidades cubanas. Esta, é um “monstro” com forma de nave espacial, como uma imensa aranha de betão, com múltiplas alas e espaços. Ao entrar poderá escolher entre tratamento VIP com pagamento em conformidade. É para os estrangeiros, os que pagam em CUC. Dá direito a salas com ar condicionado e ausência de filas. Alguns preferirão misturar-se com os cubanos comuns, esperando a sua vez por uma mesa e pagando em moñeda nacional, o que significa que uma taça bem cheia de gelado custará algo como 0,20 Euro. Não espere é muito do gelado. É saboroso mas a qualidade é discutível. Ah! E sabores, um. Em dias de sorte, dois.

Agora que tem uma dose extra de energia poderá caminhar os cerca de 2 km até à Praça da Revolução, um espaço amplo, preparado segundo os princípios de arquitectura urbana socialista, ideal para grandes manifestações e paradas militares. A praça nem tem nada de especial, mas vale pelo seu significado simbólico. Poderá aproveitar para fotografar – à distância – o edifício do Ministério do Interior, decorado com uma imagem espectacular de Che Guevara.

Caminhe livremente em direcção ao Parque John Lennon (Calle 8), onde encontrará uma estátua em bronze do cantor britânico, inaugurada no 20º aniversário da sua morte, em 8 de Dezembro de 2000. A vinda até este parque e o regresso ao centro servirão para lhe dar um ambiente deste bairro de Havana que se chama de Cercado, onde se pode observar os vestígios do que era, em 1959, a maior classe média da América Latina. Toda esta enorme área é pautada por vivendas rodeadas de espaços ajardinados, decadentes.

Use o tempo e a energia que lhe sobrar a rever os pontos que considere favoritos.

Havana a Matanzas (dia 8)

O programa sugerido para este oitavo dia em Cuba centra-se em algo que é muito volátil, pelo que deverá o visitante verificar a situação durante os dias que passar em Havana. Vamos lá ver…

Uma coisa: sugiro que – se o seu orçamento aguentar – não abra mão do seu quarto em Havana para a noite que se segue. Será um jeitaço se puder deixar a bagagem para trás nesta expedição de um dia para o outro até Matanzas.

Dito isto, arranque com o nascer do sol rumo ao pequeno terminal de ferries que liga Havana à margem de lá da baía, uma terriola chamada Casablanca. Não se surpreenda com as medidas de segurança que vai encontrar. É que há uns anos uns quantos aventureiros desviaram uma destas lanchas, com passageiros e tudo, com a intenção de chegar à Florida. A guarda costeira quebrou-lhes o sonho e mais tarde foram condenados à morte e executados. E as autoridades estão apostadas em que nada disto se repita.

O bilhete tem um valor simbólico e a travessia é rápida. Poderá verificar logo o horário do comboio entre Casablanca e Matanzas. Aliás, o melhor é verificar se há comboio de todo. É que a ligação é “assegurada” por duas locomotivas antigas, que padecem de falta de peças, como de resto toda a ferrovia. Por isso é comum existirem longos períodos em que a linha é desactivada. Mais uma razão para manter o seu quarto em Havana para esta noite!

Vamos assumir que está tudo bem e até já comprou o seu bilhete (pago a peso de ouro, em comparação com as tarifas para os locais). Aproveitaremos para subir aos fortes e visitar o que for possível. O da ponta, o El Morro, tem áreas que estão sempre abertas e dispensam a aquisição de bilhete. Bem junto a este forte vê-se a boca do túnel rodoviário que está ligado ao centro de Cuba. Se o dia estiver agradável, é um local excelente para descansar um pouco e apreciar o azul a perder de vista e a linha do céu de Havana, lá longe, do outro lado.

Quando forem horas de abrir a bilheteira passe para a Fortaleza de San Carlos de la Cabaña, enorme, mas com um interesse limitado. Algumas das suas salas originais foram transformadas em espaços de exposição. Vale pelas suas dimensões e pela vista sobre Havana, e é uma boa forma de deixar algum tempo passar até se fazerem horas de apanhar o comboio.

Este poderá ser um dos melhores momentos de uma viagem a Cuba. A viagem de comboio é lenta e saborosa, com a atenção a ser dividida entre a paisagem humana e natural e a interessante observação do que se vai passando no interior da composição. Tirando um ou outro turista o ambiente é verdadeiramente local. É assim que algumas pessoas regressam a casa depois de virem à capital tratarem de algum assunto. Mais à frente, quando o comboio entra num espaço mais rural, entram agricultores e o fruto do seu trabalho. Miúdos de escola saltam para a carruagem, a caminho das aulas. A atmosfera é informal e descontraída e há sempre alguma surpresa.

A meio caminho de Matanzas há uma paragem na estação que antes se chamava de Hershey e agora é Camilo Cienfuegos. O nome da multinacional que financiou a construção da linha e a equipou com material rolante, destinada a transportar a sua força laboral, substituída por um dos heróis da Revolução que acabou com a sua presença em Cuba.

Se por alguma razão não quiser ir até Matanzas e passar a noite fora de Havana poderá mudar aqui de comboio e apanhar aquele que se dirige à capital. Senão siga. A jornada é longa mas interessante.

Uma vez em Matanzas, sinta o ambiente e procure uma casa particular para passar a noite.

Matanzas – Havana – Cienfuegos (dia 9)

Dependendo do tempo que o comboio lhe der poderá explorar ou não Matanzas. Por outro lado, terá a opção de regressar por meios mais convencionais: a Via Azul tem cinco partidas diárias daqui para Havana (USD 7). Note que se regressar de comboio, terá que pernoitar na cidade neste dia, mas se apanhar o primeiro autocarro, poderá seguir quase de imediato para o próximo destino, poupando um dia e o desconforto de se deslocar de e para o terminal da Via Azul em Havana. Eu escolheria esta possibilidade.

As boas notícias são que em Matanzas a Via Azul fica junto à estação dos caminhos de ferro, a cerca de 1 km do centro, e por isso, acordando bem cedo, ainda terá tempo para explorar um pouco da cidade. O epicentro de Matanzas divide-se entre a Plaza de La Vigia e a Plaza de La Liberdad, que distam cerca de cinco quarteirões uma da outra. Na primeira vamos encontrar um dos principais pontos de interesse da cidade, o Teatro Santo, concluído em 1863. Existem visitas guiadas (2 CUC) mas iniciando-se às 9 horas é pouco provável que consiga participar numa a tempo de apanhar o autocarro.

Da mesma forma, não poderá usufruir por inteiro da outra grande atracão de Matanzas, o Museu Farmacêutico (Calle 83 no. 4951, Plaza de la Libertad) que abre as portas às 10 horas e que foi fundado em 1862 pelo farmacêutico francês Ernesto Troilet e mantido até aos dias de hoje tal como era naqueles tempos.

Uma boa parte do dia será passada em trânsito. A viagem até Havana dura umas duas horas e meia. O que significa que chegará pelas 11:30 e tem o autocarro seguinte, entre a capital e Cienfuegos, às 13:30. Pode aproveitar para relaxar um pouco e comer qualquer coisa. No terminal da Via Azul há uma cafetaria mas não costuma existir nada de interessante para trincar e o mesmo se aplica às imediações da estação. É prudente levar algo consigo para almoçar ou então poderá explorar as redondezas em busca de mantimentos.

Estará em Cienfuegos pouco depois das 18 horas. É uma boa hora para chegar. Se não tratou de reservas com antecedência encontrará uma casa particular sem problema. Instale-se rapidamente, para aproveitar o pôr-do-sol, que em Cienfuegos é lindíssimo.

Se não tiver tempo para mais nada, caminha em direcção a La Punta, um cabo que entra pelo mar adentro, um refúgio cosmopolita dos tempos pré-Revolução, onde ainda se vêem as casas de Verão dos que aqui procuravam a frescura do mar. Observar estas vivendas é por si só um deleite e se não conseguir chegar à ponta neste primeiro dia, considere regressar no dia seguinte. Até porque lá bem no fim existe o Palacio del Valle, que se destaca. Se não, observe logo à saída da passagem da cidade o hotel Palacio Azul.

Se ainda sobrar energia poderá explorar as ruas de Cienfuegos – totalmente seguras mesmo depois do sol posto – em busca de uma tasca para jantar, que certamente encontrará. O ambiente é encantador, com a luz alaranjada do sistema e iluminação pública a temperar aquelas ruas pejadas de prédios clássicos. Cienfuegos parece uma cidade do passado. Conserva um charme que resulta do cruzamento dos universos urbano e rural. É uma pequena cidade, mas sente-se o ambiente camponês, na carroça que passa, na loja de alfaias agrícolas, nos homens de chapéu na cabeça e catana à cintura, nas roupas… decididamente é uma mudança desde a burguesa (que o Castro não me leia) Havana e desde a industrial Matanzas.

Pode acabar a noite com um rum ou qualquer outra bebida do seu agrado no terraço de um dos bares localizados ao pé da água, do lado da cidade.

Como o próximo destino, Trinidad, não fica longe, e como existe um autocarro a sair para lá pouco depois das quatro da tarde, podemos gozar a maior parte deste dia em Cienfuegos.

Mais uma vez convém aproveitar o dia ao máximo, sair pelo fresquinho da manhã para explorar as ruas do centro da cidade. As casas são quase todas encantadoras mas o eixo principal de Cienfuegos, o Paseo del Prado, distingue-se.
Já na sua parte final há uns bares bem castiços onde sabe bem sentar com um copo de rum e gastar algum tempo a observar as pessoas e os veículos que vão passando. Prometo um pouco de tudo: carros clássicos, velhos camiões de carga com muitos anos de trabalho de quinta em cima, motos com sidecar, tractores bizarros, viaturas transformadas…
Bem, vamos agora visitar a praça central de Cienfuegos, o Parque José Marti, que está rodeado de magníficos edifícios. No centro, o pequeno jardim , onde se encontram algumas esculturas e um bonito coreto. Em seu redor, o Teatro Tomás Therry, o edifício da Câmara e o Collegio de San Lorenzo, por onde entram meninos com o uniforme da escola, e o Palacio Ferrer, construído nos primeiros anos do século XX.

Voltando ao Paseo del Prado, veja os murais e encontre a geladaria Coppelia local para uma taça de gelado a preço sem igual. Aventure-se pelas ruas que a cruzam, ande sem destino, à descoberta.

Depois de uma paragem para almoço pode optar por voltar ao caminho da Punta Gorda, especialmente se o calor não for intenso. Senão, aproveita o tempo que falta antes do autocarro para Trinidad para descansar.

A estação da Via Azul não é no centro mas caminha-se bem até ao local. Convém chegar um bocado antes da hora de partida e depois é esperar. Se o horário for cumprido – o que surpreendentemente sucede quase sempre com a Via Azul – estaremos em Trinidad antes das cinco horas.

A chegada é pacífica. Mais uma vez não há necessidade de se preocupar com o alojamento. Se preferir escolher antecipadamente, já terá a sua reserva feita e só terá que se dirigir à casa particular escolhida. Se não, não faltarão opções.

Fica é desde já avisado: a beleza de Trinidad pode ser chocante. Um dia alguém escreveu que cada centímetro desta charmosa cidade merece ser fotografado. E é totalmente verdade.

A cidade desenvolveu-se assente na riqueza gerada pelas grandes plantações de açúcar que existem na área circundante. Foi o centro desta actividade e aqui se estabeleceram as grandes famílias que controlavam o proveitoso negócio. Ainda hoje os edifícios mais imponentes são os que serviram de habitação a estes autênticos clãs. Esses e as igrejas, claro.

Talvez porque é pequena, compacta e turística, Trinidad oferece uma vida nocturna (pelo menos ao serão) que não é comum nas localidades cubanas. Existem restaurantes vocacionados para turistas com ambiente requintado e muito bom aspecto, mas também é possível recorrer a económicas tascas. A escolha do lugar para jantar será sua. Apenas terá que dar uma volta pelo centro e decidir.

Trinidad (dia 11)

Como sempre, levantar cedo para explorar as partes mais turísticas de Trinidad será uma boa ideia. O centro histórico, onde provavelmente se alojará, fica numa extremidade da malha urbana da cidade, ocupando o seu canto nordeste.

Os passeios que se podem dar são magníficos. Encontra-se aqui um casamento perfeito entre o imaginário comum da América Latina, com casas decadentes pintadas em cores vivas e ruas de calçada onde circulam carros obsoletos e carroças puxadas por animais, e a realidade. É que Trinidad é assim mesmo. Especialmente o centro histórico, cuidadosamente mantido pelas autoridades dentro do seu estio original. Reconhecer a sua área oficial é simples: o acesso ao trânsito automóvel é condicionado e o piso é diferente, de calçada de grande calibre.

Saindo dessas ruas em direcção a nordeste tem-se logo uma visão de uma outra Cuba, a fazer lembrar a nossa primeira paragem, em Viñales. Uma Cuba rural, exótica, tropical. De repente passa um carro puxado por um cavalo. Depois outro. Os homens que os conduzem usam chapéu à “cowboy”. E com facilidade alguns lhe aparecerão propondo um passeio a cavalo pelas imediações. Uma oportunidade que deverá aproveitar se o preço for justo.

Talvez a área mais interessante de Trinidad seja essa, do lado da cidade antiga mas marginal, a entrar pelo campo. Ali é vulgar ver-se a verdadeira vida dos camponeses que vivendo na cidade não deixam de ser camponeses. Em vez de um carro, um tractor parado à porta de casa.

Quando a luz estiver no seu melhor, procure o Palácio Cantero, de cuja torre se pode obter aquele retrato de Trinidad que se tornou clássico. Para além da fotografia a exposição de objectos da vida quotidiana que existe no palácio ajuda a dar o dinheiro do bilhete. Trata-se do Museo Historico Municipal.

Há-de encontrar a Plaza Mayor, que não ocupa em Trinidad o mesmo papel de elevado destaque funcional que se vê as praças centrais desempenharem noutras cidades cubanas. Talvez por Trinidad ter tantos locais agradáveis, os habitantes tendem a dispersar-se e, quiçá, a segunda praça de Trinidad seja mesmo mais viva do que esta.

Seja como for, o património arquitectónico que se reúne em seu redor é admirável. Afinal Trinidad é classificada pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade por causa dos edifícios do seu centro histórico.

Quando forem boas horas para o fazer, vá ao gabinete de turismo da cidade e tente comprar o bilhete (cerca de 12 CUC) para o passeio de comboio do dia seguinte ao Vale dos Ingenios. É uma actividade só para turistas, mas mesmo os que gostam de se manter ao largo destas coisas poderão gostar de passar a manhã num comboio que evolui por um vale onde se desenvolver a cultura da cana de açúcar.

Em Trinidad há uma mão cheia de museus. São espaços que revelam as limitações económicas de Cuba, o hiato que se criou entre este país, que viveu décadas isolado, e o resto do mundo. Mas valem a pena visitar. Ainda por cima, não é só uma exposição que se está a visitar, mas também o imóvel que a aloja. Todos os museus são albergados em velhas casas coloniais, pertença das poderosas famílias que detinham entre si o monopólio da produção e comércio do açúcar.

O Museo Romântico oferece uma exposição distribuída por 14 quartos, pretendo recriar o ambiente de uma casa abastada de meados do século XIX. O Museu da Luta contra os Bandidos é dedicado ao combate do regime revolucionário contra os guerrilheiros que depois da mudança de poder se refugiaram nas montanhas, especialmente activos na área de Trinidad.

O Palacio Cantero, antiga residência da família Borrel, é um museu histórico com um jardim interior muito agradável que também merece ser visitado. Se gosta bastante de museus e quer visitar mais do que estes três, considere o Museu de Arquitectura Colonial, instalado numa casa construída inicialmente no século XVI e que oferece uma colecção interessante dedicada, claro está, à evolução da arquitectura por estas paragens.

Durante as suas andanças pelas ruas de Trinidad, espreite uma (ou mais) das igrejas existentes. A de São Francisco de Assis é parte da imagem de marca da cidade, aparecendo em destaque na fotografia clássica que se obtém da torre do Palácio Cantero. Especialmente pitoresca é a ruína da igreja de Santa Ana, numa zona marginal do centro.

O Parque Céspedes, mais afastado, tem uma atmosfera interessante. Com menos turistas, é muito dinâmico. Local de passeio dos habitantes de Trinidad, palco de bem disputados desafios de futebol, é também ali o sítio onde poderá ter acesso à Internet.

Trinidad (dia 12)

O passeio ao Valle de los Ingenios começa bem cedo e inicia-se na estação ferroviária de Trinidad, um local onde o tempo parece ter parado.

Se tiver sorte terá uma locomotiva a vapor, mas é melhor não ter expectativas e contar com uma máquina a diesel. É um passeio muito agradável, algo diferente a fazer numa viagem feita de muitas cidades históricas. A paisagem é magnífica, os pormenores humanos também prometem, pois a zona é ainda intensamente cultivada. Vêem-se pessoas na lide dos campos, cavaleiros com estilo gaúcho. Passa-se por uma ponte ferroviária altíssima, um espectáculo! Há uma paragem para almoço, que pode aproveitar para explorar um pouco a pé as imediações limitando-se a uma qualquer merenda que leve consigo. E depois o regresso, a tempo de aproveitar a parte da tarde para ver novos cantos de Trinidad ou rever os seus pontos favoritos.

Trinidad a Santa Clara (dia 13)

Há dois autocarros por dia, e poderá escolher consoante deseje passar um pouco mais de tempo em Trinidad, ou privilegiar uma nova cidade como Santa Clara. O da manhã arranca às 8:30 e dá-lhe mais tempo para explorar a cidade que se encontra tão ligada à mítica figura de Che Guevara. O da tarde sai às 13:55 e oferece-lhe uma manhã extra em Trinidad. É consigo!

O terminal da Via Azul em Santa Clara é um pouco deslocado do centro, mas se não estiver especialmente quente não é nada que não se possa fazer a pé. Se o calor apertar, há o transporte público, que em Santa Clara consiste em pequenas carroças puxadas por um cavalo. Negoceie bem o preço.

A caminho, passará perto do Monumento e do Mausoléu de Che Guevara. Um local impressionante, onde acorrem cubanos em grande número. O monumento é de acesso livre mas terá que pagar para visitar o mausoléu, onde não é permitido recolher imagens.

Pode caminhar um pouco em busca de uma casa particular que agrade. Uma coisa é certa: não precisará de dormir debaixo de uma ponte. Existem jineteros por todo o lado e estão cheios de vontade de o ajudar a encontrar o local “ideal” para pernoitar. Claro que se os seguir, a casa pagará uma comissão que depois cobrará ao cliente, sob a forma de um preço agravado.

A figura de Che Guevara é omnipresente em Santa Clara. Como sabemos ele era argentino, mas foi aqui que se distinguiu em combate contra as forças leais ao ditador Fulgêncio Baptista, bloqueando um importante reforço militar que seguia por via ferroviária e contribuindo decisivamente para a vitória final.

É possível visitar o local onde alegadamente se deu a batalha, o Parque del Tren Blindado, onde vamos encontrar algumas das carruagens do comboio militar atacado pelo grupo de Che Guevara. Trata-se portanto de uma espécie de museu.

Uma dica: depois de visitar este espaço, em vez de regressar para o centro, caminhe para fora da cidade. Algumas centenas de metros mais à frente, do lado direito, encontrará uma estátua de Che muito especial.
Santa Clara tem uma atmosfera diferente das cidades que visitámos até agora. É urbana, fica a ideia que o nível de vida dos seus habitantes é mais elevado. Há muito comércio, muita azáfama. A cidade gravita em torno da praça central, o Parque Vidal.

Ali podemos ver o incontornável coreto, as miniaturas dos “táxis” da cidade, pequenos carros para crianças puxados por uma cabra. Vendem-se guloseimas e bebidas. Há sempre gente, muita gente, a desfrutar do espaço. Num canto mais discreto, uma esplanada com vistas privilegiadas, onde se pode beber um copo de rum por um preço ridículo… desde que se pague em CUC’s e não se dê muitos ares de estrangeiro. Um local ideal para conhecer cubanos e manter conversas interessantes.

Se a comida de rua pode alimentar um visitante de Cuba a preços muito baixos, em Santa Clara isto é ainda mais verdade: é que a variedade é maior, há imensas coisas que se podem petiscar. Gelados, churros, piña coladas sem álcool.

Feche o seu dia em Santa Clara no Parque Vidal, claro. Quando a noite chega o ambiente está ali no seu ponto mais alto. É mesmo muito agradável.

Santa Clara, Remedios e Caibarién (dia 14)

De Santa Clara podem-se fazer alguns passeios para fora da cidade. Com o tempo limitado vamos tentar ir a Remedios – um clássico – e a Caibarién, já menos batido pelos turistas. Chegar lá pode ser um desafio. Teoricamente existem autocarros, mas ninguém parece saber quando e de onde partem. Em determinadas horas do dia há também as guacuas, camiões de transporte de carga adaptados para passageiros. Boa sorte! E se tudo falhar, há os táxis, colectivos, onde terá que lutar com unhas e dentes por um preço razoável.

Remedios é uma simpática aldeia, muito popular entre os visitantes estrangeiros, mas que começa a pagar o preço desta atenção, perdendo aos poucos o toque castiço que a caracterizava. É um local ideal para dar uma volta, para nos perdermos numa qualquer tasca, com um petisco e um copo.

A tarefa seguinte é chegar a Caibarién. Pode exigir alguma paciência e uma longa espera por uma guacua. O melhor será perguntar a um qualquer local onde é o melhor ponto para aguardar.

Caibarién é uma pequena cidade costeira com muitos mas discretos atractivos. Não existe nada de evidente, mas todo o ambiente é especial. Como sucede por todo o país, Caibarién é feita de património negligenciado, mas tendo-se desenvolvido como entreposto transitário da produção de açúcar, sente-se mais essa decadência aqui. Junto à água os velhos armazéns de madeira, há décadas abandonados, vão-se ressentindo do esquecimento.

É bom caminhar pelas ruas, quase todas paralelas e perpendiculares, cheias de pormenores e de gente simpática. Há homens que pescam, rapazes passam vestidos de fatos de mergulho, arpões na mão. No Malécon, que aqui também o há, o ambiente é descontraído. Miúdos brincam, saltando para a água. Namorados sonham. Velhotes passeiam.

Em frente a uma loja uma multidão de homens conversa. À porta uma arca frigorifica cheia de cerveja tem grande sucesso. E como em todo o lado, quando a fome chega, logo se encontra uma habitação com uma janela de onde saem sandes e sumos naturais.

Chegando a hora de regressar a Santa Clara inicia-se um novo desafio. Talvez se encontre transporte directo para a cidade, mas o mais provável é que tenha que se fazer o percurso em duas etapas, com paragem em Remedios. Procure a estação de autocarros local. Pode ter a sorte de encontrar alguma coisa que lhe sirva. E não se esqueça nunca: viajar em Cuba é sempre uma aventura.

Santa Clara a Havana (dia 15)

E pronto. Chegamos ao final das duas semanas em Cuba. É tempo de regressar a Havana para apanharmos o nosso voo de volta a casa. Só o leitor saberá a que horas terá que estar no aeroporto, mas de Santa Clara há três partidas bem distribuídas ao longo do dia: às 3:35 da manhã, às 8:40 e às 16:50. A viagem dura cerca de 4 horas.

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João Leitão - O autor do blog:

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