Como explorar o Iémen durante a guerra

Nesta página descreverei a minha viagem ao Iémen através de informação prática detalhada. Partilharei convosco as minhas opiniões pessoais sobre o que esperarem caso alguma vez decidam visitar o Iémen

Há duas formas de entrar no Iémen. A primeira consiste em voar diretamente do Cairo para Seyun, e a segunda em voar para Salalah e atravessar uma das fronteiras iemenitas em Sarfait ou Al-Mazyunah.

É muito importante saber que turistas estrangeiros não podem entrar no Iémen sem uma escolta militar. Como explorar o Iémen durante a guerra é possível mas com algum risco.

A principal diferença entre as duas formas de entrar no Iémen tem a ver com o facto de que no Aeroporto Internacional de Seyun a polícia não permite que estrangeiros saiam sem proteção armada, enquanto que entrando pela fronteira terrestre com Omã, os oficiais não se importam ou não sabem deste ponto e simplesmente deixam entrar. 

Eu entrei no Iémen vindo de Omã, num carro de família disponibilizado pelo meu intermediário em Seyun. Cheguei ao Aeroporto Internacional de Salalah por volta das 6h da manhã e, após um telefonema, um tipo iemenita veio buscar-me às chegadas. 

NOTA: Viajar para o Iémen é difícil porque não é um destino seguro. Está, no entanto, cheio de pessoas extremamente afáveis, orgulhosas e hospitaleiras.  Algumas regiões do Médio-Oriente estão muito instáveis, e devem saber que viajar para esta zona não é seguro a 100%. Este blog apenas partilha informação de viagem. Não sou responsável por qualquer informação errada ou algo que vos possa acontecer. Sejam conscientes e viajem de forma segura e responsável.


Cruzar a Fronteira


VISTO PARA O IÉMEN
VISTO PARA O IÉMEN

A passagem pela fronteira decorreu curiosamente sem qualquer problema, e as autoridades não precisaram de verificar os meus documentos emitidos por Seyun. Nem precisei de sair do carro. O meu passaporte foi levado e, após 10 minutos, o tipo voltou com todos os passaportes carimbados e preparados para entrar no Iémen.  

O caminho de Salalah para a fronteira era muito cénico e melhorou ainda mais assim que entrámos no Iémen. A paisagem mudou drasticamente, e o Iémen revelou a sua famosa beleza desde o início.  

O veículo providenciado pelo meu intermediário (fixer) era um carro privado, que transportava uma família de quatro vinda de Omã. Dirigiam-se a Taiz, uma cidade na região perigosa, localizada a 1597 km de distância nas terras altas iemenitas. 

Vim para o Iémen sem saber exatamente o que esperar ou o que encontraria em termos de “serviços” na sequência da organização da minha viagem através do Sr. Abdulhameed.


O que me prometeram


  • Visto turístico iemenita; 
  • Transporte de Omã até ao Iémen;
  • Transporte do Iémen até Omã (Salalah);
  • Licenças turísticas do Iémen;
  • Todas as refeições e bebidas;
  • Alojamento.

O resultado final


Nesta secção vou tentar descrever rapidamente a minha experiência no Iémen. Foi maioritariamente positiva, mas deixem-me partilhar algumas situações.

Em primeiro lugar, o meu fixer é um tipo que se assegura que visitam o Iémen e voltam para casa em segurança. Mas, talvez devido a ingenuidade, ele não parece saber inteiramente como é lidar com estrangeiros. Apesar de, na realidade, ser muito amigável e fazer os possíveis para que apreciem ao máximo este país. Eu cheguei a falar diretamente com ele sobre este assunto e a sua vontade de melhorar os seus serviços e receber melhor viajantes é a sua principal preocupação. 

Em segundo lugar, o sentimento diário de não saber para onde estava a ir, onde iria parar ou dormir foi constante durante toda a viagem. Isto adaptou-se totalmente ao meu estilo de viagem por isso não me incomodou muito. Na realidade, eu gosto disso.  

Em terceiro lugar, nos últimos dias da viagem tudo se tornou extremamente inesperado, por isso acabei por me esquecer que tinha na realidade “comprado” um tour para o Iémen. 

Em quarto lugar, algumas partes do país só têm motéis de baixa qualidade, o que não faz mal. Mas apenas não esperem que o dinheiro que pagam corresponda ao produto que recebem. 

Eu tive de pedir ao Abdulhameed para mudar o meu hotel em Seiyun porque achei que não correspondia ao dinheiro que eu tinha pago. Uma vez que estávamos numa cidade maior, eu teria de ter um melhor alojamento ou receber algum reembolso.

Concluindo, esta viagem ao Iémen ultrapassou todas as expectativas e espero poder regressar em breve. Numa próxima oportunidade quero visitar a ilha de Socotra.


Vamos continuar a ler:

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